PARINTINS :
GARATIDO
OU
CAPRICHOSO?
PARINTINS : HISTÓRIA
O Festival Folclórico de Parintins é uma festa popular realizada anualmente no último final de semana de junho na cidade de Parintins, Amazonas.
O festival é uma apresentação a céu aberto, onde competem duas agremiações, o Boi Garantido, de cor vermelha, e o Boi Caprichoso, de cor azul.
A apresentação ocorre no Bumbódromo (Centro Cultural e Esportivo Amazonino Mendes), um tipo de estádio com o formato de uma cabeça de boi estilizada, com capacidade para 35 mil espectadores.
Durante as três noites de apresentação, os dois bois exploram as temáticas regionais como lendas, rituais indígenas e costumes dos ribeirinhos através de alegorias e encenações. O Festival de Parintins se tornou um dos maiores divulgadores da cultura local.
O festival é realizado desde 1965 e já teve vários locais de disputa como a quadra da catedral de Nossa Senhora do Carmo, a quadra da extinta CCE e o estádio Tupy Cantanhede.
Até 2005 era realizado sempre nos dias 28, 29 e 30 de junho. Uma lei municipal mudou a data para o último fim de semana desse mesmo mês.
Os bois-bumbás de Parintins, Caprichoso e Garantido, existem desde 1913, mas o festival foi oficializado em 1966, transformando-se na maior espetáculo folclórico do Brasil e a segunda maior festa popular do mundo.
O Bumbódromo de Parintins, ou Centro de Convenções Amazonino Mendes, foi inaugurado em 24 de junho e aberto para o 22º Festival Folclórico, em 1988. O Bumbódromo tem 35 mil lugares, entre camarotes, arquibancadas especiais e arquibancadas gratuitas.
Essas representam 95% dos lugares e são divididas em duas partes rigorosamente iguais para as torcidas do Caprichoso, representada pela cor azul, e a do Garantido, cor vermelha. Cada um dos lados da arquibancada é pintado com a cor de um Boi.
Os quatro mil brincantes (foliões) e cada um dos grupos cantam e contam na arena do Bumbódromo a lenda do Boi-Bumbá. As fantasias e as alegorias, que podem chegar a 30 metros de altura, revelam a criatividade do povo local.
Penas, cores, luzes e brilhos fazem um espetáculo apoteótico nos três dias de apresentações: 28, 29 e 30 de junho. Os dois Bois dançam e cantam por um período de três horas, com ordem de entrada na arena alternada em cada dia.
VOCABULÁRIO
Não confunda "asa-dura" com "cunhã"
"Aquela cunhã-poranga provocou um panuveiro quando passou pelo arraial". Ou seja: Aquele mulher bonita provocou uma confusão quando passou pelo comércio. Não é fácil entender o jeito próprio de falar de cada região que, como todas as outras, tem uma espécie de dialeto.
Então, aí vão algumas das principais palavras em Tupi e expressões típicas do local:
Aluá - bebida fermentada, feita a partir do arroz ou do milho
Arraial - Comércio de comidas típicas e atividades sócio-
culturais
Asa-dura - avião
Banzeiro - ondas de rio muitos altas
Borduna - cassetete
Brincante - folião do Boi-Bumbá
Caqueado - estilo
Carapanã - muriçoca
Contrário - Denominação dada ao torcedor do outro boi, em época
de festival a rivalidade é tão grande que se recusam a pronunciar
o nome do boi "contrário"
Cunhã - mulher
Cunhã-poranga - mulher bonita
Figura - Personagem do boi, exemplo: Bicho folharal, Dona Aurora,
Neguinho do Campo Grande etc...
Galera - Torcida
Marujada de Guerra - Nome dado a batucada do Caprichoso
Palminha - Dois pedaços de madeira retangular (itaúba ou
sucupira) usado para marcar o ritmo das toadas
Panuveiro - confusão
QG - local onde são confeccionadas as fantasias
Quiriri - tristeza
Toada - Música
Tripa - pessoa que dança vestido de boi
Tacanhoba - tanguinha
BOIS-BUMBÁS
Briga pacífica de bois anima a competição;
Torcidas jamais se misturam - e é proibido vaiar!
Dias 28, 29 e 30 de junho são dedicados exclusivamente aos espetáculos dos dois bumbás rivais, Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho), que encenam um verdadeiro ritual amazônico com Pai Francisco, Mãe Catirina, Tuxauas, Cunhã Poranga, Pajé e suas inúmeras tribos, lendas e rituais indígenas.
Nos três dias do Festival, a arena do Bumbódromo se divide meio a meio em azul e vermelho. As torcidas jamais se misturam e, durante a apresentação de um grupo, a torcida do outro não pode se manifestar.
Cuidado com os "contrários"
O Boi Bumbá Garantido foi fundado em 1913, por Lindolfo Monteverde, na baixa do São José, onde fica o seu curral. Tornou-se uma associação em maio de 1982. Desde a criação do festival, em 1966, já conquistou 21 títulos.
O Boi Bumbá Caprichoso também foi fundado em 1913, por Emídio Rodrigues Vieira. O Caprichoso é conhecido como o boi da parte de baixo da cidade, onde está o seu curral. Já conquistou 15 títulos.
Dica: em Parintins, um torcedor jamais fala o nome do outro Boi, e usa apenas a palavra "contrário" quando quer se referir ao opositor. São proibidas vaias, palmas, gritos ou qualquer outra demonstração de expressão quando o "contrário" se apresenta.
Componentes do festival
Música
Canções resgatam o passado de mitos e lendas;
incluem ruídos de pássaros e florestas
O canto das toadas vem da pequena ilha de Parintins. Os dois Bois dançam e cantam por um período de três horas, com ordem de entrada na arena alternada em cada dia. A toada é a música que acompanha a apresentação dos dois bois durante todo o tempo, acompanhada por um grupo de mais 400 ritmistas.
As letras das canções resgatam o passado de mitos e lendas da floresta amazônica. Muitas das toadas incluem também sons da floresta e canto de pássaros.
PERSONAGENS DA FESTA
Apresentador
A ópera do Boi tem um apresentador oficial, que comanda todo o espetáculo. O levantador de toadas faz a trilha sonora e dá um show de interpretação, transmitindo empolgação à sua Galera (torcida). Em Parintins, a figura do apresentador é rapidamente remetida à imagem de Paulinho Faria, que foi apresentador do Boi-Garantido por 26 anos.
Levantador de toadas
Todas as músicas que fazem a trilha sonora das apresentações são interpretadas pelo levantador de toadas. Trata-se de uma figura importante, já que a técnica, a força e a beleza de sua interpretação não só valem pontos como ajudam a trazer à tona a emoção dos brincantes. David Assayag e Arlindo Jr são os mais reconhecidos levantadores de Garantido e Caprichoso, respectivamente.
Amo do Boi
O Amo do Boi, com seu jeito caboclo, exalta a originalidade e a tradição do nosso folclore, fazendo soar o berrante e tirando o verso em grande estilo. É a chamada do Boi, que vem para bailar.
Sinhazinha da Fazenda
É a filha do dono da fazenda, que se apresenta na arena dando sal pro boi.
Figuras Típicas Regionais e Lendas Amazônicas
Fazem aflorar os sentimentos de amor e paixão. Alegorias gigantes se movimentam. Coreografias e fantasias originais, com luz teatral e fogos, dão um brilho especial ao espetáculo.
Porta Estandarte, Rainha do Folclore e Cunhã-Poranga
Dão um banho de charme, beleza e simpatia. E na sequência, o grande mito feminino do nosso folclore: Cunhã Poranga! A moça mais bela da tribo dá um show de magia, irradiando toda a sua beleza nativa, de olhar selvagem, com seu lindo corpo emoldurado de penas. Aparece aqui o elemento indígena, incorporado à festa do Boi no folclore amazônico.
Tribos
Dezenas de Tribos Masculinas e Femininas, com suas cores vibrantes, compõem um cenário tribal delirante, de coreografias deslumbrantes. Os Tuxauas Luxo e Originalidade são um primor de beleza.
Galera
A galera (torcida) dá um show à parte. Enquanto um Boi se apresenta, sua galera participa com todo entusiasmo. Seu desempenho também é julgado. Do outro lado, a galera do contrário (adversário) não se manifesta, ficando no mais absoluto silêncio, num exemplo de cordialidade, respeito e civilidade.
Jurados
Os jurados são sorteados na véspera do Festival e todos vêm de outros estados. Pela proximidade, pessoas do norte são vetadas. O requisito é ser estudioso da arte, da cultura e do folclore brasileiro. Mais de 20 itens são julgados, à luz de um regulamento simples, claro e preciso.
Quem visita Parintins, fica encantado com a arte indígena, uma das temáticas da festa e com a culinária do local. O grande atrativo, porém, é o Festival Folclórico. É nessa época do ano que a população da cidade praticamente dobra.
Algumas curiosidades:
- Se fosse depender do contexto da fauna amazônica, o Festival de Parintins deveria festejar a onça pintada, ou a cobra sucuri. Não o boi. Mas o Boi-bumbá foi uma conseqüência do ciclo da borracha, quando milhares de nordestinos foram tentar a sorte na cultura extrativista do látex. Eles vieram de uma região tipicamente pecuarista, e trouxeram seus costumes, como o Boi-bumbá das festas juninas da região.
- Os jurados somente utilizam canetas de cor verde, para não haver influência no resultados por causa das cores.
- A música, que acompanha durante todo o tempo, é a toada, acompanhada por um grupo de mais 400 ritmistas.
O ritual dos Bumbás mostra a lenda de Pai Francisco e Mãe Catirina que conseguem, com a ajuda do Pajé, fazer renascer o boi do patrão. Conta a lenda que Mãe Catirina, grávida, deseja comer a língua do boi mais bonito da fazenda. Para satisfazer o desejo da mulher, Pai Francisco manda matar o boi de estimação do patrão.
Pai Francisco é descoberto, tenta fugir mas é preso. Para salvar o boi, um padre e um médico são chamados (o pajé, na tradição indígena) e o boi ressuscita. Pai Francisco e Mãe Catirina são perdoados e há uma grande comemoração.
- O Garantido, considerado o “boi do povão”, acumula 21 vitórias contra 15 do Caprichoso, “o boi da elite”.
O que é a toada de boi ?
O canto das toadas vem da pequena ilha de Parintins. Os dois Bois dançam e cantam por um período de três horas, com ordem de entrada na arena alternada em cada dia. A toada é a música que acompanha a apresentação dos dois bois durante todo o tempo, acompanhada por um grupo de mais 400 ritmistas. As letras das canções resgatam o passado de mitos e lendas da floresta amazônica. Muitas das toadas incluem também sons da floresta e canto de pássaros.
PARINTINS : COMO CHEGAR AO LOCAL
Como chegar: Pode-se chegar à cidade por vias aérea e fluvial. Os vôos saem de Manaus ou de Santarém, no Estado do Pará, e têm duração de aproximadamente uma hora.
De barco, a viagem até Parintins dura, em média, de 12 a 24 horas, dependendo do tipo de embarcação e do percurso escolhido.
O trecho Manaus-Parintins, que desce o rio, é normalmente feito em 12 horas. O retorno leva muito mais tempo, pois navega-se contra as águas do rio.
A maioria desses barcos funciona como hotéis, pois eles permanecem ancorados em Parintins
Primeira etapa da festa: Durante os primeiros dez dias de festival, apresentam-se vários grupos folclóricos, com suas representações de lendas ao som de toadas e cantos indígenas, teatralizações de rituais, fantasias, figuras engraçadas e curiosas do imaginário da região.
Apoteose da festa: A apoteose acontece no último final de semana do mês de junho, quando se apresentam as grandes atrações da Festa, os bois Garantido e Caprichoso.
Há décadas eles, e só eles, disputam a condição de melhor boi de Parintins. E quem escolhe é o público, que se divide entre o vermelho (cor do Garantido) e o azul (símbolo do Caprichoso). Ganha quem mais fizer vibrar a platéia. Razão pelo qual os grupos não poupam esforços nem economizam animação, levando para a arena do bumbódromo luxuosas fantasias, toadas e alegorias repletas de criatividade.
CAMPEÕES
Ano/
Campeão
1966/
Garantido
1967/
Garantido
1968/
Garantido
1969/
Caprichoso
1970/
Garantido
1971/
Garantido
1972/
Caprichoso
1973/
Garantido
1974/
Caprichoso
1975/
Garantido
1976/
Caprichoso
1977/
Caprichoso
1978/
Garantido
1979/
Caprichoso
1980/
Garantido
1981/
Garantido
1982/
Garantido
1983/
Garantido
1984/
Garantido
1985/
Caprichoso
1986/
Garantido
1987/
Caprichoso
1988/
Garantido
1989/
Garantido
1990/
Caprichoso
1991/
Garantido
1992/
Caprichoso
1993/
Garantido
1994/
Caprichoso
1995/
Caprichoso
1996/
Caprichoso
1997/
Garantido
1998/
Caprichoso
1999/
Garantido
2000 (Empate)/
Garantido e Caprichoso
2001/
Garantido
2002/
Garantido
2003/
Caprichoso
2004/
Garantido
2005/
Garantido
2006/
Garantido
2007/
Caprichoso
2008/
Caprichoso
2009/
Garantido
2010/
Caprichoso
2011/
Garantido
Murais
Mural 2
Sirva-se!

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